quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Momentos...

Por um momento ela o quis de volta. Só por aquele momento. Momento que ela se lembrou do cochicho do seu sorriso tímido, do quente de seus braços em giro de sua cintura durante uma noite frígida, e daqueles beijos que a sossegavam em épocas irrequietas. Por um momento.
Por um momento ela quis deslembrar de tudo e voltar. Voltar para aquele tempo em que vivia com um sorriso tolo, com o coração ingênuo de paixão e com um lado para voltar. Agora não há mais, e por aquele momento ela o quis próximo para ouvir: “vai acabar tudo bem...”, mas não vai. Não naquele momento.
Naquele momento não quis mais ouvir pensamentos, nem sentir suas dores. Mas não dava. Estava tudo ali, desvendado, sangrando e proferindo em seu ouvido o quanto tudo tinha sido uma ilusão. Todos aqueles momentos.

E todos aqueles momentos esvaeceram novamente. Ela voltou ao seu torpor, a um mundo em que não mais acreditava naquela existência, que um dia, foi venturosa. Todos os momentos desapareceram e ela se foi. Se não se crê, não existe mais. O amor, o futuro, os momentos, tudo se foi porque ela deixou de acreditar. E por aquele momento, foi (um pouco) feliz.


quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Em 3ª Pessoa




Cris se descobria, por muitas vezes, num negrume total.
Um lugar que não a resguardava de si mesma e de tudo que ela ambicionava deixar para trás.
Eram sentimentos maiores que a luz, eram palavras que ainda retumbavam em sua memória,
Oscilações que não tinham o domínio de salvá-la e ainda aqueles beijos que jamais viveram.


Cris sentia dores invisíveis, por mais que o tempo perdurasse.
Nada dura tanto quanto a noite escura e o dia que não raia seu Sol.
A não ser a desbarato de saber que tudo se partiu.


Cris assistia desenhos ilegíveis de uma vida que nunca existiu,
Suas lembranças teimavam em sobreviver, lhe coloriam os olhos vermelhos.
Nada era tão real quanto o que Cris sentia e persistia em sua alma.
Uma dor sem tamanho, uma lágrima incessante e uma morte, que tudo levou.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Breve Definição

Sou construída de múltiplos sonhos e desiguais palavras, de gritos diários e nunca sussurros, de inesperados choros e constantes alegrias, de todos os encontros e suas despedidas.

Idolatro o dia e respeito a noite. Amo o sol, e tudo aquilo que reluz. Tudo que é escuro, eu trato de trazer à luz, de alumiar.

Meu sangue pulsa e impulsa todos os sentimentos ambíguos nesse peito amalucado. Um coração indeciso, que vive entre a felicidade plena e a solidão necessária.

Sou impetrada de ciúmes, carências, peles e imediatismos. Gosto de estar perto, saber de tudo, falar de tudo, externalizar emoções, esvaziar a alma. Não gosto do longe, de distâncias e de ter saudades.

Sou sangue desvendado, vísceras dilaceradas, peito fendido, falas claras e diretas. Exponho a cara à tapa, ao vento, à chuva, ao que vier. A decisão quando tem que ser tomada, eu o faço. Chamam isso de impulsividade, eu chamo de firmeza.

Não aprecio o esperar, meu tempo é o agora: o amanhã pode não se atingir; o ontem deve ter suas lições aprendidas, por mais dolentes que sejam e, depois, olvidado, deixado pra traz. O hoje é o que vale.


Apesar do pouco vertical, sou gigante em todos os sentidos e tamanhos que possam me existir. Canto e danço a música que o mundo toca, mas elejo com fleuma quais que me emocionam.  

Nada do que ficou para traz pede que eu volte. Vou seguindo, reinventando minhas cores e acendendo minhas luzes, sem me privar de todos os sorrisos que eu possa dar.