Por um momento ela o quis de
volta. Só por aquele momento. Momento que ela se lembrou do cochicho do seu
sorriso tímido, do quente de seus braços em giro de sua cintura durante uma
noite frígida, e daqueles beijos que a sossegavam em épocas irrequietas. Por um
momento.
Por um momento ela quis deslembrar
de tudo e voltar. Voltar para aquele tempo em que vivia com um sorriso tolo,
com o coração ingênuo de paixão e com um lado para voltar. Agora não há mais, e
por aquele momento ela o quis próximo para ouvir: “vai acabar tudo bem...”, mas
não vai. Não naquele momento.
Naquele momento não quis mais
ouvir pensamentos, nem sentir suas dores. Mas não dava. Estava tudo ali, desvendado,
sangrando e proferindo em seu ouvido o quanto tudo tinha sido uma ilusão. Todos
aqueles momentos.
E todos aqueles momentos esvaeceram
novamente. Ela voltou ao seu torpor, a um mundo em que não mais acreditava
naquela existência, que um dia, foi venturosa. Todos os momentos desapareceram
e ela se foi. Se não se crê, não existe mais. O amor, o futuro, os momentos,
tudo se foi porque ela deixou de acreditar. E por aquele momento, foi (um
pouco) feliz.