Sou construída de múltiplos sonhos e desiguais palavras, de gritos
diários e nunca sussurros, de inesperados choros e constantes alegrias, de todos
os encontros e suas despedidas.
Idolatro o dia e respeito a noite. Amo o sol, e tudo aquilo
que reluz. Tudo que é escuro, eu trato de trazer à luz, de alumiar.
Meu sangue pulsa e impulsa todos os sentimentos ambíguos
nesse peito amalucado. Um coração indeciso, que vive entre a felicidade plena e
a solidão necessária.
Sou impetrada de ciúmes, carências, peles e imediatismos. Gosto
de estar perto, saber de tudo, falar de tudo, externalizar emoções, esvaziar a
alma. Não gosto do longe, de distâncias e de ter saudades.
Sou sangue desvendado, vísceras dilaceradas, peito fendido,
falas claras e diretas. Exponho a cara à tapa, ao vento, à chuva, ao que vier. A
decisão quando tem que ser tomada, eu o faço. Chamam isso de impulsividade, eu
chamo de firmeza.
Não aprecio o esperar, meu tempo é o agora: o amanhã pode não
se atingir; o ontem deve ter suas lições aprendidas, por mais dolentes que
sejam e, depois, olvidado, deixado pra traz. O hoje é o que vale.
Apesar do pouco vertical, sou gigante em todos os sentidos e
tamanhos que possam me existir. Canto e danço a música que o mundo toca, mas elejo
com fleuma quais que me emocionam.
Nada
do que ficou para traz pede que eu volte. Vou seguindo, reinventando minhas cores
e acendendo minhas luzes, sem me privar de todos os sorrisos que eu possa dar.
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